quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Resumo da história do Ballet, Parte 1

Catarina de Médici levou a dança cortesã da Itália para a França, quando deixou Florença para casar-se com Luís XIV, na segunda metade do século XVI. Àquela época, não havia distinção real entre ópera e ballet. O conjunto atraiu enormemente o frânces, amante da dança e exibia-se em ballets amadores. O primeiro deve ter sido Le ballet comique de la reine, produzido em 1581 por Baldassarino Begiojoso, que fora pagem de Catarina. A corte francesa adotou a paixão do rei, e a lógica francesa codificou a dança. Luís XIV criou, em 1661, a Academié Nationale de la Dance. Ainda hoje a academia de Luís XIV existe, numa linha direta e initerrupta de bailarinos e professores, com o nome de Ballet de l´Opéra de Paris.




Até o ínicio do século XVII, a dança era essencialmente domínio masculino, pois os costumes sexuais da época insistiam que as mulheres usassem longos vestidos e mantivessem pernas e pés ocultos. Enquanto se respeitaram esse costume, a dança - ao menos para as mulheres - limitou-se a um conjunto de padrões elaborados horizontalmente no palco. Era impossível - e impensável - mulheres saltarem com seus vestidos. Entretanto em 1721, a bailarina conhecida como La Carmargo causou escândalo, ao encurtar a saia - apenas alguns centímetros - e tornando os pés e tornozelos visíveis; o traje é produzido na figura da pintura acima, de Nicolas Lancret. Essa pequena mudança liberou, por fim, os pés da bailarina, que passaram a fazer coisas mais interessantes. Também foi La Camargo que inventou o entrechat.
Os vestidos começaram a encurtar mais ainda, à medida em que as bailarinas e coreógrafos exploravam as possibilidades técnicas oferecidas pelas pernas livres. Tal mudança promoveu a bailarina em detrimento do bailarino. As experiência continuaram através do século XVIII, culminando logo após a revolução francesa, quando Mailot, figurinista da Ópera francesa, inventou os colantes, liberando completamente as pernas. Como tudo o mais, provocou um escândalo e, em alguns lugares, foram proibidos. Eventualmente, porém mesmo o Papa autorizava seu uso nos teatros sob sua jurisdição, desde que fossem azuis, não sugerindo pele humana.





Enquanto La Camargo levantava a saia, as cinco posições - a base do ballet - generalizavam-se, encorajadas por um mestre italiano de dança; reconhecia que, quando os pés de abriam, a linha do corpo ficava mais graciosa, e que certos passos eram mais facilmente executados a partir daquela posição.



Depois de La Camargo, a grande influência na França foi de Jean-George Noverre. Nascido em Paris, 1727, Noverre, possível filho de um ajudante-de-campo de Carlos II, foi inicialmente destinado a carreira militar. Porém, apaixonou-se pela dança. Foi melhor coreógrafo do que bailarino, mas era ainda melhor como teórico de dança. Até Noverre, a dança fora matéria sobretudo visual, o que hoje rotularíamos como divertissementes, sem forma ou contéudo. Foi ele que, em Letter sur la danse et les ballets(1760), acentuou que a dança era uma arte dramática, a qual, como tantas outras manifestações artísticas, ncessitava de introdução, desenvolvimento e clímax, e que devia exprimir uma idéia dramática.



Noverre era meio itinerante, mas passou oito anos em Stuttgard, onde o grão-duque de Wüttemberg colocou uma grande companhia à sua disposição, com uma centena de bailarinos no corps de ballet e 20 principais. Assim, Stuttgard tornou-se grande centro de ballet, sobretudo quando a Revolução estrangulou as artes cênicas na França, e grandes dançarinos convergiram para Noverre. Dentre eles, Mademoseille Heinel, que inventou a piroutte, Pierre Gardel e Auguste Vestris, que introduziram o Rond de jambes. Noverre também dispensou a máscara que, até então, fora acessório costumeiro para bailarinos.



Por causa dos sufocantes acontecimentos em Paris, a Revolução fez mais do que empurrar o ballet para Stuttgard. Muitos dançarinos franceses fugiram para Milão, onde naquela época, dois homens eram responsáveis pelo reflorescimento da dança no La Scala. O primeiro, Salvatore Viganó, sobrinho do compositor Boccherini, elevou o corps de ballet milânes a novos patamares, tornando-o um conjunto criativo por si mesmo e não mero pano de fundo, para os bailarinos principais. Porém o mais importante dos dois milaneses, Carlo Blasis, foi aluno de Gardel e Jean Bercher e por isso um direto descendente artístico de Noverre. Como Noverre, Blasis pode ser considerado um dos pais do ballet classíco. Sua contribuição foi tripla. Seu famoso Tratato sobre a arte de dançar codificou os avanços do ballet até aquele momento. Segundo, estipulou que o ballet, além de ter toda a força do teatro dramático, devia compor sua demonstração física a partir da natureza e da anatomia. Defendia a tese de que bailarinos deviam estudar pintura e escultura, para copiar as formas que encontrassem na grande arte classíca e, em consequencia disso, inventou a "atitude". A "atitude" é um jeito de concluir uma série de passos de tal maneira que o bailarino não fique completamente estático no palco, de pé, mas posando de maneira graciosa. O próprio Blasis tirou suas idéias da estátua Mercúrio, de Giambologna; apresentada na imagem abaixo. Sua terceira inovação foi a criação, em 1837, da Academia de Dança de Milão. Foi essa academia que se tornou modelo para todas as outras, estabelecendo padrões básicos de treinamento que existem até hoje. Os alunos da Academia vinculavam-se à escola durante oito anos, período em que faziam três horas diárias de exercícios, com uma hora de mímica. E foi Blasis quem inventou o uso da barra.


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