
Esse período viu alguns ótimos ballets, notavelmente La Sylphide e Giselle (originalmente concebidos por Gautier). tão popular que entrou e permaneceu nos repertórios de Paris, Londres, Milão e São Petersburgo. Esses ballets se beneficiaram do grande desenvolvimento técnico do período, les pointes, o uso da ponta dos dedos do pé. Esse talvez tenha sido a grande inovação, possibilitando à bailarina parecer flutuar todas as noites sobre o palco, delicada, espectral e etérea ao mesmo tempo, perfeita incorporação do movimento romântico.

Mas havia um preço a se pagar por essa total identificação de toda uma forma artística a um único movimento. Em primeiro lugar, a ênfase romântica concentrou-se tanto na fragilidade humana, e em aspectos sobrenaturais, que o sex appeal desapareceu completamente do palco. Isso talvez tenha sido importante por um tempo, mas o romantismo deu lugar a outros "ismos" do século XIX: o realismo, primeiramente (ajudado pela invenção da fotografia), depois o impressionismo. Quando o romantismo feneceu, o mesmo ocorreu com o ballet. Isso foi particularmente verdadeiro na França, onde por volta do fim do século 19, o ballet tornou-se pouco mais do que o lugar notório em que se permitiam aos jovens da época, flertar com as bailarinas do corps de ballet, nos intervalos das apresentações. O circo barato em que se transformara o ballet, evidencia-se nas telas pastéis de Edgar Degas. Os próprios franceses referem-se a isso como La Decádence.


No final do século XIX, só existia um país em que o ballet não caíra em desgraça. A Rússia.
Nenhum comentário:
Postar um comentário